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Plantando igrejas locais

Extraído da Revista "Lições Bíblicas"
Jovens e Adultos - Lições do 3o. trimestre de 2000
CPAD - Casa Publicadora das Assembléias de Deus

É possível aplicar em nossos dias, no trabalho missionário, a mesma estratégia do apóstolo Paulo? Qual programa evangelístico é mais eficaz para os dias de hoje?

Os métodos usados pelos apóstolos, representam o padrão para o trabalho missionário de todos os tempos. O próprio apóstolo escreveu: “Sede meus imitadores!” Ele foi um exemplo para os missionários em todos os sentidos. Sendo assim, convém aplicar os métodos usados pelos apóstolos no trabalho missionário de hoje. É preciso enviar missionários e buscar os perdidos em todos os recantos da terra. Atos dos Apóstolos é um documento histórico, inspirado pelo Espírito Santo, onde temos a descrição da maneira como Paulo procedeu ao dar assistência espiritual às multidões de crentes que, em vários lugares, se haviam convertido. Em primeiro lugar o apóstolo entregava aos novos crentes o ensino da Palavra de Deus, orientando-os, para que pelo batismo nas águas, fossem encaminhados a participar da igreja local: ele ministrava aos novos convertidos instruções sobre a maneira pela qual podiam melhor servir a Deus. Em todos os lugares onde Paulo abriu trabalho, uma igreja era fundada. Com a organização das igrejas, o apóstolo podia continuar as suas viagens missionárias, sem ficar detido num só lugar. Ele entregava a direção a outros, e, aliviado dessa responsabilidade, podia avançar na expansão da obra missionária.

Jesus empregou na evangelização dois métodos: evangelismo pessoal e evangelismo em massa. Os métodos de evangelismo são imutáveis. As técnicas podem evoluir, serem substituídas, modificadas, adaptadas e multiplicadas. Contamos, atualmente, com grande variedade de recursos técnicos que ajudam a divulgação do evangelho: ampliação sonora, telefone, projeção luminosa, rádio, televisão, gravação em CDs, Internet etc. Contudo, seja qual for o recurso empregado como auxiliar na evangelização, forçosamente teremos de usar um dos dois métodos de Jesus.

INTRODUÇÃO

O mesmo princípio usado para se iniciar congregações em nossos bairros, ou cidades vizinhas, serve para se plantar igrejas locais no campo missionário. Hoje vamos estudar as estratégias usadas pelo apóstolo Paulo.

I. AS SINAGOGAS COMO PLATAFORMA

1. Nas sinagogas. Em todas as grandes cidades, Paulo procurava logo uma sinagoga. Como judeu e mestre da Lei, tinha acesso à palavra, e não perdia a oportunidade de falar de Jesus. Quando não lhe era permitido pregar aos judeus, dirigia-se aos gentios. Ele usou essa estratégia em Chipre (13.5), Antioquia da Pisídia (13.14), Icônio (14.1), Tessalônica (17.1,2), Beréia (17.10-12), Atenas (17.17), Corinto (18.4) e Éfeso (18.19).

As sinagogas dessas cidades serviram de base para igrejas locais. Foi assim que o apóstolo plantou igrejas em todos esses locais. Hoje não encontramos no campo missionário tantas sinagogas, como naqueles dias, e nem temos tantos rabinos convertidos à fé cristã. Mas o princípio continua válido.

2. No plano cultural. Todas as pessoas pertencem a um povo e a uma cultura, para a qual o missionário pode ser enviado para evangelizar, plantar igrejas locais, ensinar e realizar outras atividades missionárias. Quando se trata de alguém que está fora de sua cidade natal ou de seu país ou de seu convívio social e converte-se à fé cristã, geralmente sente a necessidade de falar de Jesus para os seus, e contar quão grandes coisas o Senhor lhe fez e como teve misericórdia de si (Mc 5.19).

3. No plano religioso. Consideremos alguém muito fervoroso em sua religião. Tendo-se Paulo convertido a Cristo, torna-se a maior autoridade para evangelizar sua antiga comunidade de fé. Esse é um excelente terreno para se disseminar as boas novas de salvação. Através desse processo, as pessoas se convertem e vêm para a igreja, fazendo surgir novas congregações. Esse método pode ser usado hoje para se plantar igrejas locais.

4. Exemplo prático da atualidade. Há casos de irmãos que voltam para o seu país ou para a sua cidade de origem a fim de falar do amor de Deus. Muitos de nossos nisseis e sanseis foram para o Japão como dekasseguis (trabalhadores estrangeiros) e não como missionários. Entretanto, fundaram inúmeras igrejas locais. Hoje são pastores de um trabalho que cresce e prospera. Se o Senhor Jesus não vier nos próximos 15 anos, nossa geração verá como os filhos desses imigrantes integrar-se-ão à sociedade e à cultura nipônicas, facilitando a evangelização do Oriente: “Desde o nascente do sol até ao poente, será grande entre as nações o meu nome ... diz o SENHOR dos Exércitos” (Ml 1.11).

II. AS CAMPANHAS OU CRUZADAS EVANGELÍSTICAS

1. Campanha de Chipre. A primeira viagem missionária do apóstolo Paulo durou cerca de dois anos, 48 e 49 d.C. O verbo grego dierchomai, “atravessar”, usado nesta expressão: “atravessado a ilha até Pafos” (13.6), dá a idéia de campanha evangelística. O Dr. Sir William Ramsay, arqueólogo que investigou o livro de Atos, constata que Lucas não cometeu nenhum erro ao mencionar os 32 países, as 54 cidades e as 9 ilhas em Atos. Ele diz que o referido verbo significa “uma turnê evangelística em toda a ilha”.

2. Em Listra e Derbe. O texto sagrado diz: “Ali pregavam o evangelho” (14.7). O contexto mostra que Paulo e Barnabé fizeram uma cruzada evangelística entre os gentios. Constata-se isso em decorrência do movimento provocado pelos moradores da região em virtude da cura do coxo de nascença, e por haverem confundido Paulo e Barnabé com divindades romanas, Mercúrio e Júpiter (14.8-14).

3. As campanhas da atualidade. Há os que criticam as campanhas ou cruzadas evangelísticas. Esse método de evangelização é usado em muitas partes do mundo com resultados extraordinários. Via de regra, os evangelistas usam ginásios de esportes, estádios de futebol, locais de grandes concentrações com resultados extraordinários. Os resultados, entretanto, podem ser desastrosos para a igreja promotora do evento, quando o pregador não preenche os requisitos espirituais exigidos pela Bíblia ou quando não há organização adequada. O problema não está nessas campanhas em si, pois o modelo é bíblico; pode estar no propósito e no método utilizados.

III. AS DIVERSAS ESTRATÉGIAS

1. Nas casas. Paulo fundou igrejas não somente usando as sinagogas e através de campanhas evangelísticas. Ele usou muitas outras estratégias. Em Corinto, começou por uma sinagoga (18.4), em seguida encontrou abrigo na casa de Tito Justo, e depois teve o apoio de Crispo, líder da sinagoga, que logo se converteu (18.7,8). Da mesma forma, fundou a igreja de Filipos, na casa de uma empresária de nome Lídia (At 16.14,15), e em Éfeso, começando por uma sinagoga (18.19), continuou nas casas (20.20). Até hoje, a maioria das igrejas nasce nas casas dos crentes. Essa estratégia continua a ser usada em nossos dias.

2. Nas praças. A pregação nas ruas e praças tem dado origem a muitas igrejas locais. Há muitas localidades onde esse trabalho não é permitido; em outros lugares não dá resultado. O apóstolo Paulo usou essa estratégia em Atenas (At 17.17). Esse método foi, no princípio, usado por nossos pioneiros Daniel Berg e Gunnar Vingren. Em muitos lugares, continua surtindo resultados. O modelo é bíblico; cabe a cada um ter o necessário discernimento para aplicá-lo na hora e na localidade adequadas. As praças de sua cidade podem ser uma terra fértil para semear a semente.

3. Nos centros acadêmicos. A igreja de Atenas nasceu de um trabalho do apóstolo Paulo entre os acadêmicos (At 17. 19, 22, 34). O Senhor Jesus tem muitas testemunhas entre os universitários, professores e eruditos de todo o mundo. Muitos destes organizam trabalhos programados para alcançar os seus pares para Jesus. Muitos conseguem espaço físico na própria instituição de ensino para reuniões, além de cultos em ação de graças em eventos como formaturas. É um trabalho promissor, e tem suas bases na Bíblia.

4. Os grandes centros urbanos. O apóstolo procurava os grandes centros urbanos fundando neles igrejas. Ele passou por inúmeras cidades em suas viagens, mas sua meta era alcançar as de maior porte. Depois, as igrejas das grandes cidades encarregam-se de evangelizar as cidades menores vizinhas. Éfeso era o centro das sete igrejas da Ásia; Paulo, portanto, foi o fundador delas através da cidade de Éfeso.

CONCLUSÃO

Vimos que o apóstolo Paulo se utilizou de inúmeros meios para alcançar as pessoas para Cristo e com elas surgiram as igrejas. Campanhas evangelísticas, evangelismo de casa em casa, centros acadêmicos, ruas e praças e em outros locais são estratégias usadas para qualquer época da história. Os recursos eletrônicos são bastante úteis na evangelização. Podemos resumir tudo isso nas palavras do próprio apóstolo: “Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios chegar a salvar alguns” (1 Co 9.22). Esses são os exemplos que devemos seguir para plantar igrejas, tanto em nosso país como no campo missionário.

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