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AI DOS QUE CAUSAREM ESCÂNDALOS!


O Perigo do Escândalo
Lc 17.1-3

Introdução

Escândalo no dicionário português é definido como mau procedimento; mau exemplo; ato reprovável. Escandalizar é melindrar; ofender; agir de forma indecorosa e vergonhosa. A palavra escândalo é de origem grega (skándalon). É a armadilha que se põe no caminho do inimigo para fazê-lo cair. É aquilo que dá o que falar, que causa indignação por ser contrário à moral, à honestidade, aos bons costumes, à justiça, às leis etc. No sentido espiritual e moral, é todo o obstáculo que, com sua conduta, uma pessoa pode representar para a vida ou a moralidade de outras pessoas.
Em algumas traduções da Bíblia, a palavra escândalo está expressa por tropeço, querendo significar tudo o que leva o homem à queda: o mau exemplo, princípios falsos, abuso do poder etc. A palavra grega próskomma também é traduzida por tropeço.

Os escândalos são inevitáveis

1. Porque o homem é pecador - Os escândalos acontecem porque a natureza humana é pecaminosa e inclinada ao mal. O egoísmo e a depravação humana levam-o a provocar o tropeço de outros para que ele leve vantagem. Entretanto, Cristo nos assevera que haverá um juízo austero e inflexível sobre aqueles que o cometem. A pedra de moinho era usada para triturar grãos. Para aquele que deliberadamente causasse o tropeço de um pequenino - uma criança ou um cristão novo na fé (Mt 18.1-6; Lc 10.21), era preferível uma morte horrível - enforcado e afogado concomitantemente - ao invés da prática do escândalo. Vemos na Bíblia o caso de Balaão, que ensinou o rei moabita Balaque a colocar tropeços diante do povo de Israel e foi punido por Deus (Ap 2.14; Nm 31.8,16).

2. Porque o homem é imperfeito - Muitas vezes causamos o tropeço de alguém acidentalmente, pois somos falhos, imperfeitos e inclinados ao erro. Quando isto ocorrer, devemos logo pedir perdão àqueles que foram atingidos por nosso erro. E quando somos nós os atingidos, devemos perdoar aquele que nos causou o tropeço (Mc 11.25,26; Lc 6.37), pois queremos também ser perdoados quando errarmos (Mt 6.14,15).

3. Porque o homem é imaturo - Os escândalos também acontecem por causa da imaturidade das pessoas. O mesmo Cristo que advertiu sobre o perigo do escândalo foi motivo de escândalo. A Bíblia relata que os conterrâneos de Jesus se escandalizaram nele (Mc 6.3; Jo 6.61). Paulo afirma que a pregação do Cristo crucificado é escândalo para os judeus e loucura para os gentios (1 Co 1.23). O próprio Cristo chegou a dizer que os discípulos se escandalizariam nele (Mt 26.31). Cristo jamais errou por escandalizar os discípulos, os seus conterrâneos e os judeus. A falha estava na insuficiência de maturidade daqueles em compreender os desdobramentos do ministério messiânico de Cristo. Nem sempre o agente principal do escândalo é o culpado. Jesus advertiu seus discípulos, instruindo-os antecipadamente, para que não fossem ignorantes acerca daquilo que havia de acontecer e, tendo o conhecimento disto, não viessem a tropeçar (Jo 16.1-4).

Não devemos julgar a nós mesmos superiores aos outros, de tal forma que jamais venhamos a tropeçar, como fez Pedro em relação aos discípulos na noite da Ceia (Mt 26.33), mas devemos vigiar para nunca tropeçar e cair (Lc 21.36; 1 Co 10.12).

Devemos evitar os escândalos

O cristão precisa estar vigiando seus passos para não causar o tropeço de alguém (1 Co 10.32-34; Rm 14.13 2Co 6.3; Fp 1.10). Deve, portanto, evitar o pecado e buscar viver de forma santa. Aqueles que vivem na prática do mal e causando tropeço aos outros serão condenados pelo Senhor (Mt 13.40-42). Infelizmente, muitos cristãos (alguns até mesmo líderes famosos no meio evangélico) têm causado escândalos de forma pública e, com isto, maculado a imagem da igreja de Jesus Cristo e a fé de muitos crentes. Não irão aqueles prestar contas diante de Deus pelos tropeços que causaram?
Todo discípulo de Cristo deve rejeitar o egoísmo e viver de forma altruísta, não buscando apenas seus próprios interesses. Se as nossas atitudes causam escândalo ou tropeço de um crente imaturo, devemos evitar estas coisas, mesmo as mais comuns, como comer, vestir, falar etc (1 Co 8.9-13; Rm 14.13-15,19-21), pois Cristo julgará aqueles que causarem tropeço a um crente fraco. Nestes casos, o princípio que deve reger a liberdade de cada um é o amor ao próximo (1 Jo 2.10). Na igreja impera a “lei do mais fraco” e não do mais forte. Ou seja, o mais fraco é que determina, muitas vezes, o que pode ser feito ou não.
Por amor ao próximo, para não causar-lhe tropeço, devemos “andar a segunda milha”, fazer algo que nem era necessário nem desejado por nós, mas que evitará que este tropece ou se escandalize. O próprio Cristo mandou Pedro pagar o imposto do templo para não escandalizar os judeus (Mt 17.27).
É necessária também uma análise cuidadosa de si mesmo para retirar de sua vida algo que sirva de tropeço próprio (Mt 5.29,30). Cristo afirma que é melhor sofrer alguma perda aqui na terra do que tropeçar em algo que lhe atrapalhe a caminhada rumo ao céu.
Principalmente aqueles que servem no ministério cristão devem ter muito cuidado: a) para não causarem escândalo, pois podem atingir a outros; b) para não prejudicar a igreja e nem seu ministério com escândalos (2 Co 6.3).
A Bíblia recomenda também que evitemos a companhia daqueles que vivem causando escândalos e divisões (Rm 16.17), certamente para não sermos influenciados pelos mesmos e não sermos contados entre eles (1 Co 15.33).

Alguns se escandalizam com pouca coisa

Na parábola do semeador Jesus afirmou que alguns se escandalizam (ou tropeçam) por causa da sua imaturidade (Mt 13.21). Há crentes que estão em processo de transformação. Outros estagnaram ao longo do processo e permanecem meninos no que tange os assuntos relacionados à fé. Paulo ensinou que “nós que somos fortes devemos suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a nós mesmos. Portanto, cada um de nós, deve procurar agradar o próximo” (Rm 15.1). Na caminhada cristã, existem os fracos e os fortes. Segundo Paulo, os fracos são aqueles que se escandalizam com facilidade (Rm 14.2).
Muitos crentes permanecem imaturos mesmo após longo tempo na igreja. Deveriam ser maduros, mas permanecem crianças na fé (Hb 5.12,13). O cristão neófito exige cuidados especiais, mas devemos buscar amadurecer na fé (Mt 5.48; Ef 4.13). Os meninos falam como meninos, sentem como meninos e pensam como meninos, mas os amadurecidos ponderam seus pensamentos, sentimentos e palavras (Tg 3.2).

Conclusão

O cristão deve viver de forma a evitar o tropeço, seja de si mesmo ou de outros, intencionalmente ou não. Seja o firme propósito de cada um ser uma bênção e não um tropeço para o seu próximo; razão de edificação dos irmãos e não de queda de algum deles. Iremos receber a recompensa pelo que tivermos feito, ou bem ou mal (2 Co 5.10).
Devemos crescer espiritualmente e não nos deixarmos embaraçar com coisas pequenas que acontecem ao nosso redor (2Tm 2.4; Hb 12.1), mas correr a carreira cristã de forma a alcançarmos o seu alvo: glorificar a Deus e alcançar o céu.

Leitura sugerida:

WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. Santo André: Geográfica, 2008.
HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento. Romanos. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.

Comentários

  1. Graça&Paz. Muito boa esta reflexão. Parabéns pelo blog.

    Deixo meu blog, caso sinta visitar: http://oblogdodumane.blogspot.com/

    Um grande agraço

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