Epístola de Judas

1.      Análise teológica
A Epístola de Judas desenvolve a história da apostasia da Cristandade desde os primeiros elementos que se insinuaram na Igreja, para a corromperem, até ao seu julgamento, até ao aparecimento de nosso Senhor - apostasia moral que mudava a graça de Deus em dissolução. Em João, eles tinham saído; aqui, tinham-se introduzido, corrompendo. Esta epístola é muito pequena, contendo lições apresentadas muito brevemente e com a rapidez enérgica do estilo profético, mas tem uma imensa importância e um alcance considerável. O mal que se infiltrou no seio dos Cristãos não cessará até que o Juízo o destrua. Judas fala de apostasia, do abandono pela Assembléia do seu estado primitivo perante Deus. O abandono da santidade da fé é o assunto de que Judas trata. Certas pessoas tinham-se introduzido entre eles, sem eles o saberem.
             Tendo assinalado o mal que se tinha insinuado secretamente entre os cristãos, a Epístola revela-lhes que o Juízo de Deus é executado contra aqueles que não andam segundo a posição em que Deus os tinha primeiramente colocado. O mal não consistia somente em certos homens se terem introduzido sorrateiramente no meio dos Cristãos - o que era já, só por si, um grande mal, porque a ação do Espírito Santo era assim entrava entre os Cristãos - mas também que, e em definitivo, o conjunto do testemunho perante Deus, o vaso que continha esse testemunho se corromperia (como tinha acontecido com os Judeus) a um tal ponto que chamaria sobre si o Juízo de Deus.
Judas resume os três gêneros aos caracteres do mal e do afastamento de Deus. Em sua epístola, ele assinala o da natureza, a oposição da carne ao testemunho de Deus e ao Seu verdadeiro povo, o livre curso que esta inimizade dá à vontade da carne. Ele também fala do mal eclesiástico do ensino do erro por causa de uma recompensa, sabendo-se, no entanto que este ensino é contrário à verdade e contra o povo de Deus. Ele também mostra a oposição aberta, a rebelião contra a autoridade de Deus.
No tempo em que Judas escreveu a sua epístola, os que Satanás introduzia na Igreja para ali abafarem a vida espiritual e conduzirem ao resultado que Espírito contempla proteticamente, permaneciam no meio dos santos e tomavam parte nos piedosos ágapes onde se assemelhavam em testemunho do seu amor fraternal. Esses homens eram manchas ou nódoas que caíam nessas santas refeições, passando sem temor nas pastagens dos fiéis. O Espírito Santo denuncia-os energicamente. Estavam duplamente mortos, por natureza e pela sua apostasia; sem fruto, ou trazendo fruto que se estragava, como se fora da estação própria; desarraigados, escumando por todo o lado as suas infâmias; estrelas errantes, reservadas para as trevas eternas.
O que há de mais impressionante na Epístola de Judas é que ele segue a corrupção da Assembléia desde a entrada imprevista de alguns até ao seu julgamento final, e mostra que essa corrupção não cessou, mas passa por fases variadas até hoje.
2.      Análise literária

O livro de Judas tem, numa perspectiva estruturalista, três subtemas:
1. A ocasião da carta;
2. Os falsos mestres;
3. Conselho aos verdadeiros crentes.
A epístola é bem pequena e tem apenas 25 versículos em um único capítulo. Inicia-se com uma curta introdução de dois versos, fala sobre o perigo da atuação de homens perversos que estavam tentando alterar o propósito da fé cristã. Dá exemplos históricos sobre os falsos mestres descrevendo o caráter destes, destaca o viver em santidade como o objetivo dos convertidos e conclui com sua benção apostólica.
As figuras de linguagem utilizadas nos falam de elementos que não se encontram fixos, não têm firmeza, encontram-se em movimento constante: nuvens levadas pelo vento, árvores que não estão presas por suas raízes, ondas do mar, estrelas cadentes. Os falsos mestres não conseguem se firmar dentro da verdadeira igreja do Senhor. Por isso é que acontecem os escândalos e eles se vão. Vemos no texto também a questão da inutilidade de tais pessoas. Uma estrela cadente não serve como ponto de referência. Ondas bravias só causam destruição. Nuvem sem água não produz chuva. Além disso, é levada pelo vento e nem sombra produz. O mesmo acontece com a árvore que, além de não ter frutos, foi arrancada. Nesse caso, o que não é útil pode se tornar uma ameaça. Então, nada lhe resta senão o fogo, que representa o juízo divino.

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