Elias já veio?

Mas digo-vos que Elias já veio
(17.12)

Espiritismo.
 Usa este texto, entre outros, para defender a doutrina da reencarnação, pelo fato de Jesus se referir a João Batista como sendo o Elias que havia de vir.

Resposta apologética: Em lugar de corroborar com o espiritismo, o texto em referência, na verdade, é um grande problema para os adeptos dessa religião. A primeira contradição com o pensamento espírita que podemos destacar é o fato de os discípulos, ao descerem do monte, terem em mente a ressurreição de Cristo e o restabelecimento do reino de Israel: “E eles retiveram o caso entre si, perguntando uns aos outros que seria aquilo, ressuscitar dentre os mortos” (Mc 9.10-12). Se a comunicação com os mortos é tão evidente assim, como querem os espíritas, não seria de se esperar que conversassem sobre isso? No entanto, esses temas passaram despercebidos por Pedro, João e Tiago. 

Outro problema que os espíritas terão de enfrentar ao usar este texto é que Elias não morreu, logo não desencarnou, condição necessária para reencarnar-se (2RS 2.11). Além do mais, nessa época, João Batista já estava morto (Mt 14.1-6). E se João Batista era a reencarnação de Elias, não deveria ser ele a aparecer junto com Moisés durante a transfiguração? Não dizem os espíritas que o espírito toma a forma da última reencarnação? Por fim, resta-nos o testemunho do próprio João Batista, ainda em vida, quando lhe perguntaram quem ele era: “És tu Elias? E disse: Não sou”. 

Para que possam escapar da conclusão óbvia que esses esclarecimentos nos levam, os espíritas apelam dizendo que João Batista também negou que era profeta, sendo realmente profeta, logo, sua negativa de que não era Elias deve ser entendida como força de expressão. Tal argumentação fica estremecida quando nos lembramos que, inicialmente, João Batista também negou que era o Cristo. Então, temos de admitir, nesta linha de raciocínio, que ele era o Cristo? Claro que não! João Batista sabia que não era o Cristo. Na verdade, ele não se achava digno de desatar as sandálias de Jesus (Mc 1.7). 

João Batista não era Elias, grande profeta de Deus que não experimentou a morte, e muito menos profeta, porque os próprios profetas se referiam ao grande profeta que havia de vir, conforme predito em Deuteronômio 18.18: “Eis lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar”. 

Em verdade, João Batista nos deixou uma grande lição de obediência, humildade e serviço, qualidades pretendidas por todos aqueles que querem agradar ao Senhor.

Fonte: Bíblia Apologética

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